Histórico da Fundação
O TRIESTE
Confira abaixo a história do Trieste Futebol Clube.
Imigrantes italianos, oriundos da cidade de Trieste e arredores, região de Vêneto, instalaram-se com seus descendentes na então distante Colônia de Santa Felicidade, em Curitiba. Os membros das famílias FERRO, MURRARO, CUMAN, ANZOLIN, LUCCA, TÚLIO, ESMANHOTO, STELLA, ZEM, JUSTI, VOLPI e BENATO, dentre outros aficionados por futebol, procuravam jogar suas peladinhas no campo do Iguaçu, porém, só conseguiam fazer parte de alguma equipe em último caso – quase sempre ficavam de fora, só olhando. Existia certa discriminação para com os “italianos” do Monte Bérico.
A Procura
Diante dessa situação constrangedora, resolveram encontrar um local onde pudessem mostrar os conhecimentos do “cálcio”, sem ter que pedir favores. Assim, descobriram um grande ponteiro, utilizado por cavalos e vacas, numa chácara que pertencia a Jerônimo Muraro. Conversaram com os proprietários e conseguiram autorização para fazer um campo de futebol. Quando estivesse pronto para uso, teriam que pagar um aluguel.
O Trabalho
Após a jornada diária nas lavouras de hortigranjeiros e nas parreiras, os colonos italianos levaram os seus arados, enxadas, foices e machados para umas “horas extras”, de duro trabalho, a fim de preparar o terreno para um campo de futebol. Muitas carroças, com terra, foram necessárias para aplainar o terreno. Depois de muitos e muitos dias, os companheiros concluíram a terefa. Entre eles, José Ferro de Antônio, Pedro Ferro de Vitório, Antônio Ferro de Vitório, José Ferro de Vitório, Carlos Ferro, Victor Ferro, Luiz Cuman, Frederico Cuman, João Antonio Cuman, Celestino Cuman, José Cuman, Alfredo Volpi, Pedro Zem, Dante Zem, João Lucca, José Anzolin, Pedro Anzolin, José Muraro, Ervelino Muraro, Francisco Muraro, Jerônimo Muraro, Orlando Esmanhoto, Luiz Stella, Ângelo Stella, Domingos Benato, Mário Justi e outros.
Finalmente, o campo de futebol para as suas peladinhas estava pronto! Em finais de semana, os amigos se reuniam e jogavam futebol. Agora podiam praticar o esporte favorito em um campo próprio. Havia lugar para todos, ninguém ficava de fora. A alegria e o congraçamento reinavam entre os imigrantes.
Assim, os dias foram passando.
A compra do terreno
Algum tempo depois, a proprietária não desejava mais alugar o campo e, decidiu vendê- lo. Porém, fez uma proposta que estava fora dos padrões normais. O preço era altíssimo. Na ocasião, José “Bepi” Ferro teve uma idéia brilhante. Colocou à venda sua propriedade, dizendo que ali seria construído o novo campo. A notícia se espalhou. De imediato, a proprietária do terreno antigo fez chegar aos amigos uma proposta: reduziria o preço para que pudessem fechar o negócio. Os negócios foram, então, iniciados.
Ervelino Muraro era um dos encarregados da negociação. Um acordo foi selado. Os companheiros adquiriram parte daquele terreno por $4000,00 (quatro contos de réis). Todas as promissórias forram assinadas por Bepi Ferro, por exigência da proprietária.
A compra das camisetas
Bepi Ferro plantava batata-doce, em sua propriedade, juntamente com a família. De repente, pediu 20 mil réis, emprestados, para dona Carmélia, sua esposa, dizendo que precisava ir para a cidade comprar camisas. A esposa não entendeu muito bem aquela conversa, mas entregou o dinheiro ao Bepi. Este, por volta das 14 horas, tomou o lotação e foi até o centro de Curitiba – naquele tempo era uma viagem demorada. José “Bepi” Ferro comprou, então, o primeiro jogo de camisas, cujas cores eram em VERMELHO, VERDE E BRANCO, coincidentemente as mesmas cores da bandeira ITALIANA e da equipe italiana – TRIESTINA – da cidade de TRIESTE, local de nascimento de muitos imigrantes. Os amigos gostaram muito do novo uniforme. Ah, o Bepi Ferro, depois de fazer a “coleta” junto aos companheiros-fundadores, devolveu o dinheiro emprestado por dona Carmélia.
O nome do time
A escolha do nome da agremiação, obviamente, não representou nenhum problema para os amigos, só poderia ser um que tivesse ligação com suas raízes – surgia, assim o “TRIESTE FUTEBOL CLUBE”.
Observação Importante: O curioso é que desde o ínicio dos anos 30, quando se uniram e criaram o TRIESTE FC (construindo o campo e comprando o terreno), os companheiros-fundadores, até junho de 1937, não haviam oficializado a fundação do clube, embora em 1933 tivessem eleito uma diretoria, que ficou a frente dos destinos e atividades até o ano de 1937.